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Glossário do Forró

Todos os termos essenciais para entender a cultura, a música e a dança do forró.

33 termos

A

Aboio

Canto tradicional dos vaqueiros do sertão nordestino, entoado para conduzir o gado. Caracteriza-se por melodias longas e melancólicas, sem acompanhamento instrumental, que ecoam pela caatinga. O aboio influenciou profundamente a música nordestina, incluindo o forró.

Acordeão / Sanfona

Instrumento de fole que é a alma do forró pé de serra. No Brasil, é popularmente chamado de "sanfona". Luiz Gonzaga consagrou o instrumento como símbolo do forró, e até hoje ele é indispensável em qualquer trio. A sanfona de 120 baixos é a mais usada no forró.

Arrasta-pé

Ritmo acelerado e festivo do forró, dançado arrastando os pés pelo chão em movimentos rápidos e animados. É o mais energético dos três ritmos tradicionais (xote, baião e arrasta-pé). Também é usado como sinônimo informal para festa de forró ou baile popular.

B

Baião

Gênero musical e ritmo nordestino popularizado por Luiz Gonzaga na década de 1940. Com andamento moderado e cadência marcante, o baião é um dos pilares do forró pé de serra. A batida característica no zabumba, combinada com a sanfona e o triângulo, cria o som inconfundível que conquistou o Brasil.

Balancê

Variação rítmica do forró com influências do baião e do xote, caracterizada por um balanço suave e cadenciado. O balancê tem um "swing" próprio que convida a dançar com movimentos fluidos e soltos. É frequentemente tocado em festas de forró como variação entre os ritmos principais.

C

Caatinga

Bioma exclusivamente brasileiro que cobre grande parte do sertão nordestino. Com vegetação adaptada à seca — arbustos, cactos e árvores espinhosas — a caatinga é cenário recorrente nas letras de forró. Suas paisagens áridas e a resiliência de seu povo inspiraram inúmeras canções sobre saudade, migração e vida sertaneja.

Cantoria

Tradição poética oral do Nordeste brasileiro onde dois ou mais cantadores improvisam versos em desafio, acompanhados de viola. A cantoria de repente é uma das expressões culturais mais ricas do sertão e compartilha raízes com o forró na valorização da poesia popular nordestina.

Côco

Ritmo e dança de origem afro-indígena do litoral e sertão nordestino, marcado por palmas, sapateado e canto responsorial. O côco de roda reúne comunidade em círculo para dançar e cantar. Influenciou o forró e outros gêneros nordestinos, sendo considerado uma das raízes rítmicas da música popular brasileira.

Cordelista

Autor de literatura de cordel, tradição poética popular do Nordeste brasileiro. Os folhetos de cordel são livretos rimados e ilustrados com xilogravuras, vendidos pendurados em cordas (daí o nome). Muitos temas de forró — como histórias de Lampião, amores e secas — aparecem também nos cordéis.

D

Dominguinhos

José Domingos de Morais (1941–2013), um dos maiores sanfoneiros da história do forró. Discípulo de Luiz Gonzaga, Dominguinhos levou a sanfona a novos patamares técnicos e artísticos. Compôs clássicos como "Eu Só Quero um Xodó" (com Anastácia) e "Lamento Sertanejo". Sua obra é referência obrigatória para qualquer amante do forró.

E

Embolada

Gênero musical e poético do Nordeste brasileiro, caracterizado pelo canto rápido, ritmado e muitas vezes humorístico, com desafios verbais entre dois cantadores. Acompanhada geralmente por pandeiro, a embolada exige grande habilidade vocal e capacidade de improvisação. Compartilha raízes culturais com o forró e o repente.

F

Forró

Gênero musical e dança originários do Nordeste do Brasil, com raízes na cultura popular sertaneja. O forró engloba diversos ritmos — baião, xote, arrasta-pé — e é tradicionalmente tocado pelo trio de sanfona, zabumba e triângulo. Além de gênero musical, "forró" também designa a festa ou o baile onde se dança ao som dessa música.

Forró Pé de Serra

O forró em sua forma mais tradicional e autêntica, tocado pelo trio clássico de sanfona, zabumba e triângulo (podendo incluir viola, violão e outros). O termo "pé de serra" remete às comunidades ao pé das serras nordestinas, onde essa música nasceu. Valoriza a musicalidade acústica, letras poéticas sobre o sertão, amor e festividades juninas.

Ver bandas de forró

Forró Universitário

Movimento que surgiu nos anos 2000, quando jovens universitários de grandes cidades — especialmente São Paulo e Rio de Janeiro — redescobriram o forró pé de serra. Diferencia-se do forró eletrônico ao resgatar instrumentos acústicos e repertório tradicional, porém com uma estética mais urbana. O forró universitário foi essencial para a popularização do forró fora do Nordeste.

Forró Eletrônico

Vertente moderna do forró que substituiu os instrumentos acústicos tradicionais por teclados, guitarras elétricas, bateria e sintetizadores. Surgiu nos anos 1990, especialmente no Ceará, com bandas como Aviões do Forró e Calcinha Preta. Embora muito popular comercialmente, é frequentemente criticado por puristas do forró pé de serra.

G

Gonzagão (Luiz Gonzaga)

Luiz Gonzaga do Nascimento (1912–1989), o "Rei do Baião", é considerado o pai do forró e o maior responsável por levar a música nordestina para todo o Brasil. Natural de Exu (PE), Gonzaga popularizou o baião, o xote e o arrasta-pé com clássicos eternos como "Asa Branca", "Qui Nem Jiló" e "A Vida do Viajante". Seu legado é a base de toda a cultura forrozeira.

J

Junho / São João

O mês de junho é o auge do forró no Brasil, quando se celebram as Festas Juninas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro. As festas de São João são as maiores e mais tradicionais, com fogueiras, comidas típicas (milho, canjica, pamonha), quadrilhas e muito forró ao vivo. Cidades como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) disputam o título de maior São João do mundo.

Ver festivais
L

Lambazouk

Dança surgida da fusão da lambada brasileira com o zouk caribenho. É dançada com movimentos ondulantes e sensuais, frequentemente ao som de músicas mais lentas e melódicas. Embora não seja forró em sentido estrito, o lambazouk é comumente dançado em festas de forró e compartilha espaço com o forró nas escolas de dança.

Encontrar escolas de dança
M

Maracatu

Manifestação cultural afro-brasileira de Pernambuco, com cortejo real acompanhado por percussão poderosa de alfaias, gonguês e caixas. Existem duas vertentes: o Maracatu Nação (de baque virado) e o Maracatu Rural (de baque solto). Embora seja um gênero distinto do forró, o maracatu faz parte do rico mosaico cultural nordestino.

Matulão

Nome dado à bolsa ou trouxa usada pelos viajantes e retirantes nordestinos para carregar seus pertences. No contexto cultural, o matulão simboliza a jornada migratória dos nordestinos em busca de melhores condições de vida, tema recorrente em letras de forró e baião. "Fazer o matulão" significa preparar-se para partir.

N

Nordeste

Região do Brasil formada por nove estados (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão) que é o berço do forró e de toda a cultura que o envolve. O Nordeste é terra de grande diversidade musical, culinária e artística, unindo sertão, agreste e litoral em uma identidade cultural riquíssima.

P

Pandeiro

Instrumento de percussão de mão, similar ao tamborim, mas com platinelas metálicas ao redor do aro. No forró, o pandeiro é frequentemente usado como complemento ao trio tradicional, adicionando brilho e versatilidade rítmica. É um dos instrumentos mais versáteis da música brasileira, presente também no samba, choro e pagode.

Q

Quadrilha

Dança coletiva típica das Festas Juninas, inspirada nas danças de salão europeias do século XIX, mas adaptada com humor e criatividade brasileira. Pares vestidos de "caipiras" executam coreografias comandadas por um marcador que grita instruções como "olha a chuva!" e "anarriê!". Algumas quadrilhas são verdadeiros espetáculos com coreografias elaboradas.

R

Repente

Arte da improvisação poética cantada, praticada por repentistas que criam versos "de repente" (de improviso) sobre qualquer tema proposto. Acompanhados geralmente por viola, os repentistas rimam e metrificam em tempo real, num verdadeiro duelo poético. O repente é patrimônio cultural do Nordeste e influenciou a riqueza lírica das letras de forró.

S

Sanfoneiro

Músico que toca sanfona (acordeão). No forró, o sanfoneiro é geralmente o líder do grupo, responsável pela condução musical e pela harmonia. Os grandes sanfoneiros — como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca e Oswaldinho do Acordeon — são verdadeiros heróis populares. Ser sanfoneiro no Nordeste é carregar uma tradição centenária.

Conhecer músicos

Sertão

Região semiárida do interior do Nordeste brasileiro, caracterizada pelo clima seco, vegetação de caatinga e um povo de resiliência admirável. O sertão é o cenário por excelência das letras de forró — a seca, a saudade, o amor, a fé e a esperança são temas constantes. Como escreveu Guimarães Rosa: "O sertão é do tamanho do mundo."

Sertanejo

Termo com dois significados: (1) habitante do sertão nordestino, o povo forte e resiliente que vive na região semiárida; (2) gênero musical de origem caipira, hoje o mais popular do Brasil, mas distinto do forró. O sertanejo (música) tem raízes na viola caipira do Sudeste, enquanto o forró nasceu da sanfona no Nordeste. São gêneros diferentes!

T

Triângulo

Instrumento de percussão metálico em forma de triângulo, tocado com uma baqueta de metal. Apesar de sua aparente simplicidade, o triângulo é essencial no forró — é ele que dita o andamento e dá o "brilho" rítmico à música. Um bom triangueiro consegue tirar timbres variados e conduzir toda a energia da dança. Junto com a sanfona e o zabumba, forma o trio clássico do forró.

Trio (Pé de Serra)

Formação instrumental clássica do forró pé de serra, composta por sanfona, zabumba e triângulo. Essa formação mínima e poderosa foi consagrada por Luiz Gonzaga e permanece como o coração do forró autêntico. Muitas bandas modernas expandem o trio com outros instrumentos (violão, viola, baixo), mas o trio original continua sendo a essência.

Ver bandas e trios
X

Xaxado

Dança e ritmo do sertão nordestino, originalmente dançado apenas por homens — os cangaceiros do bando de Lampião. Caracteriza-se por passos laterais vigorosos, com os dançarinos batendo as sandálias (alpercatas) no chão. O xaxado é dançado sem par e sem acompanhamento musical, apenas com o canto dos dançarinos. É um símbolo da cultura sertaneja e do cangaço.

Xote

Ritmo de andamento lento e cadenciado, ideal para dançar a dois de forma romântica e aconchegante. Derivado do schottische europeu (que chegou ao Brasil no século XIX), o xote foi abrasileirado e se tornou um dos três ritmos fundamentais do forró. É o ritmo perfeito para iniciantes na dança e para os momentos mais românticos da noite de forró.

Aprender a dançar
Z

Zabumba

Grande tambor de dois couros tocado com uma baqueta de madeira (maceta) e uma vareta fina (bacalhau). No forró, a zabumba é responsável pelo "pulso" da música — o grave profundo que faz o corpo inteiro vibrar. É o instrumento que dá peso e corpo ao som do trio. A zabumba é de origem africana e se tornou indissociável do forró pé de serra.

Zabumbeiro

Músico que toca zabumba. No trio de forró, o zabumbeiro é o responsável pela base rítmica e pela energia da dança. Um bom zabumbeiro não apenas mantém o tempo, mas cria nuances e variações que dão vida à música. Grandes zabumbeiros, como Cícero (parceiro de Gonzaga), são reverenciados no meio forrozeiro.