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Luiz Gonzaga

O Jumento É Nosso IrmãoL'Asino È Nostro Fratello

Luiz Gonzaga · O Sanfoneiro Do Povo De Deus Il Fisarmonicista del Popolo di Dio (1967)

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Compositore: Luiz Gonzaga

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Testo completo

É verdade, meu senhor

Essa história do sertão

Padre Vieira falou

Que o jumento é nosso irmão


Ão, ão, ão, ão, ão, ão

O jumento é nosso irmão

Quer queira ou quer não!


O jumento sempre foi

O maior desenvolvimentista do sertão!

Ajudou o homem na lida diária

Ajudou o homem

Ajudou o Brasil a se desenvolver


Arrastou lenha

Madeira, pedra, cal, cimento, tijolo, telha

Fez açude, estrada de rodagem

Carregou água pra casa do homem

Fez a feira e serviu de montaria

O jumento é nosso irmão!


E o homem, em retribuição

O que é que lhe dá?

Castigo, pancada, pau nas pernas, pau no lombo

Pau no pescoço, pau na cara, nas orelhas

Ah, jumento é bom, o homem é mau!


E quando o pobre não aguenta mais o peso

De uma carga, e se deita no chão

Você pensa que o homem chega

Ajuda o bichinho se levantar? Hum, pois sim!

Faz é um foguinho debaixo do rabo dele

O jumento é bom

O jumento é sagrado

O homem é mau


O homem só presta pra botar apelido no jumento

O pobrezinho tem apelido que não acaba mais

Babau, Gangão, Breguesso, Fofarchão

Imagem do Cão, Musgueiro, Corneteiro, Seresteiro

Sineiro, Relógio, é, ele dá a hora certa no sertão

Tudo isso é apelido que o Jumento tem

Astronauta, Professor, Estudante

Advogado das Bestas


É chamado de Estudante

Porque quando o estudante não sabe a lição da escola

O professor grita logo

Você não sabe porque você é um jumento!

E o estudante, pra se vingar

Botou o apelido no jumento de professor

Porque o professor ensina a ler de graça

Pois sim!

Quem ensina a ler de graça é o jumento, mo fio

É assim

A! E! I! O! U! U!

Ípsilon, ípsilon, ípsilon

Ípsilon, ípsilon, ípsilon


Só não aprende a ler quem não quer!

Esse é o jumento, nosso irmão

Animal sagrado!

Serviu de transporte de Nosso Senhor

Quando ele ia para o Egito

Quando Nosso Senhor era pirritotinho


Todo jumento tem uma cruz nas costas, num tem?

Pode olhar que tem

Todo jumento tem uma cruz nas costas

Foi ali que o menino santo fez um pipizinho

Por isso ele é chamado de sagrado

Ha, ha, jumento meu irmão

O maior amigo do sertão!


Ele é cheio de presepada, sim senhor

Uma vez ele me fez uma, menino

Que eu não me esqueci mais

Quando dá as primeira chuva no sertão

A gente planta logo um milhozinho

No monturo da casa da gente

Porque dá ligeiro e é milho doce

Dá ligeirinho, ligeirinho!

O jumento cismou de ser meu sócio!

Eu disse: Eu pego ele!

Quando ele invadiu minha roça, he

Eu preparei uma armadilha, cheguei perto dele e disse

Comendo meu milho, hein! Vou lhe pegar!

Ele balançou a cabeça, ligou as antenas

Troceu o rabo, troceu, troceu, troceu

Deu corda e disparou!

Deu um pulo tão danado na cerca

Que nem triscou na minha armadilha

Correu uns 10 metros, fez meia volta

Olhou pra mim e me gozou

Seu Luiz! Seu Luiz! Comi seu milho!

E como! E como! E como! E como!

Filho da peste! Comeu mesmo!


Mas eu gosto dele

Porque ele é servidorzinho que é danado!

Animal sagrado!

Jumento, meu irmão, eu reconheço teu valor!

Tu és um patriota! Tu és um grande brasileiro!

Eu tô aqui, jumento, pra reconhecer o teu valor, meu irmão


Agora, meu patriota, em nome do meu sertão

Acompanho o seu vigário, nesta eterna gratidão

Aceita nossa homenagem

Ó jumento, nosso irmão, ão, ão, ão, ão, ão, ão

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